São 19h quando o turno troca e tudo recomeça no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A luz do dia começa a dar lugar à noite, e, enquanto a cidade desacelera, uma nova equipe assume seu posto. O horário é o mesmo todos os dias. O que muda são os rostos, as histórias e os plantões que ainda estão por vir. Em silêncio, eles chegam com seus pertences nas mãos e a responsabilidade de quem sabe que, a qualquer momento, pode ser chamada para salvar uma vida.
Foi nesse cenário que, na noite desta quarta-feira, 8 de abril, a Secretaria de Comunicação deu início à ação “Trabalho 24h”, uma série de conteúdos que acompanha serviços essenciais que seguem ativos durante a noite e a madrugada, muitas vezes longe do olhar da população, mas fundamentais para garantir segurança, cuidado e a própria vida. O SAMU foi o serviço escolhido para abrir a série. E não por acaso.
A equipe noturna inicia o plantão com a paramentação. No dormitório, vestem macacão, camiseta e botas, em um processo rápido e já incorporado à rotina. Em poucos minutos, estão prontos. Preparados para o imprevisível, sabendo que a noite pode ser tranquila ou exigir respostas rápidas a qualquer momento.
Antes de qualquer chamado, há um ritual técnico e rigoroso: os checklists das ambulâncias. São conferidos itens essenciais conforme os protocolos do Ministério da Saúde: nível de combustível, óleo do motor, funcionamento de sirenes e luzes, oxigênio, desfibrilador, medicamentos, materiais de imobilização, entre outros equipamentos indispensáveis para o atendimento pré-hospitalar. Limpeza, desinfecção, organização. Cada detalhe importa. Cada segundo pode fazer diferença. E faz.
A qualquer momento, o telefone pode tocar. E quando toca, tudo precisa acontecer rápido. O chamado é atendido inicialmente pela central de regulação, em Porto Alegre, que coleta as informações e repassa à base local por meio de um aplicativo de celular. Por isso, a clareza de quem liga é fundamental: descrever corretamente a situação e o local pode agilizar o atendimento e salvar vidas.
Durante a noite da última quarta (8) e madrugada desta quinta-feira (9), a equipe da Secretaria de Comunicação acompanhou o plantão noturno de 12h, entre 19h e 7h da manhã, e duas ocorrências mobilizaram o serviço. Uma delas foi cancelada ainda no trajeto, situação que, embora faça parte da rotina, gera impacto direto. Cada deslocamento envolve tempo, mobilização de equipe e consumo de combustível público. Quando um chamado é indevido ou cancelado sem necessidade, há desperdício de recursos e, principalmente, risco para quem realmente precisa do atendimento. Enquanto uma ambulância está em deslocamento para uma ocorrência que não se confirma, outra pessoa pode estar aguardando por socorro.
Na segunda ocorrência, a equipe atendeu um paciente em situação de emergência clínica, realizando os procedimentos necessários e garantindo o encaminhamento seguro ao pronto-socorro. A resposta foi rápida, em menos de 10 minutos a equipe já estava no local, mas houve dificuldade para localizar o endereço informado. Foi necessário acionar novamente a Central de regulação para entrar em contato com a família e confirmar a localização correta. Situações como essa reforçam a importância de quem aciona o serviço fornecer informações claras e precisas. Saber descrever corretamente o local e a situação permite que a equipe chegue com mais agilidade, reduzindo riscos e aumentando as chances de um desfecho positivo. O uso consciente do SAMU e a responsabilidade no momento da ligação também salvam vidas.
Entre um chamado e outro, a rotina segue em estado de atenção. Na base, os profissionais se revezam entre a sala de estar e os dormitórios. Enquanto alguns descansam, outros conversam, compartilham experiências ou simplesmente aguardam. O descanso, quando possível, também faz parte do preparo.
A equipe é formada por médico, enfermeiro, técnicos em enfermagem e o condutor da ambulância, profissionais que atuam de forma integrada, seguindo protocolos rigorosos para garantir um atendimento ágil, seguro e eficaz. Em Uruguaiana, o serviço conta com quatro ambulâncias, incluindo uma Unidade de Suporte Avançado (UTI Móvel), preparada para atendimentos de maior complexidade.
Mas por trás da técnica e da prontidão, há uma realidade que exige ainda mais desses profissionais: a jornada dupla. Muitos deles atuam também em outros serviços de saúde do município, como a Santa Casa, no turno inverso. São horas consecutivas dedicadas ao cuidado com o outro, um esforço silencioso que revela o comprometimento de quem escolheu salvar vidas como missão diária.
Para Dienifer Apestegui, técnica em enfermagem da equipe noturna 1, a escolha pela urgência e emergência vai além da profissão. “É uma área que exige muito da gente, mas que também nos realiza. Cada atendimento é diferente, cada situação ensina algo novo. Essa imprevisibilidade é desafiadora, mas é justamente o que me motiva. Em uma noite podemos ter vários atendimentos, em outra nenhum. A gente nunca sabe. E isso faz com que a gente esteja sempre alerta, sempre preparado”, conta. Há pouco mais de um ano no SAMU, Dienifer já vivenciou um leque diverso de ocorrências, experiências que reforçam diariamente o propósito de cuidar.
À frente do serviço em Uruguaiana, a coordenadora Rocheli Wesz destaca o compromisso técnico e humano da equipe. “O SAMU trabalha com protocolos muito bem definidos, que garantem segurança e qualidade em cada atendimento. Aqui em Uruguaiana, seguimos cada etapa com muito rigor, mas sem perder o olhar humano. Lidamos com vidas, com famílias, com momentos extremamente delicados. Por isso, além da técnica, é preciso sensibilidade. E isso nossa equipe tem de sobra”, afirma.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado gratuitamente pelo número 192, em casos de urgência e emergência.
A ação “Trabalho 24h” seguirá acompanhando outros serviços essenciais do município, mostrando de perto o trabalho de quem mantém a cidade funcionando mesmo quando a maioria das pessoas está em casa. Quando a cidade desacelera e as luzes se apagam, há profissionais que seguem em vigília. Invisíveis para muitos, essenciais para todos. O SAMU é um deles, e ele não para, porque a vida não espera.
Autor: Ana Carolina Gomes - Secom/PMU