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FEV
25
25 FEV 2026
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E INOVAÇÃO
180 ANOS DE URUGUAIANA: PESSOAS QUE ESCREVEM A HISTÓRIA DA CIDADE ATRAVÉS DA FEIRA DA COMUNIDADE
Foto Noticia Principal Grande
Arte da capa: Thaís Vieira
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Quando a maior parte da cidade ainda repousa sob o silêncio da madrugada, a rotina na Chácara Casa Velha já está em movimento. São 05h30 da manhã. A luz ainda é tímida no horizonte lá da região da Chácara do Sol, na União da Vilas, mas na propriedade da família rezes o dia não espera o sol.
Antes mesmo de qualquer tarefa começar, há um padrão que inaugura o dia na Chácara Casa Velha: o café da manhã. Mas não se trata de um café apressado ou qualquer. É um momento que traduz, em mesa posta, tudo aquilo que a terra oferece.
A mesa é farta. Os ovos ainda guardam o calor do galinheiro, coletados poucos minutos antes. A gema é firme, vibrante, quase dourada demais para parecer comum. O leite, tirado da vaca ao amanhecer, chega espesso, com o perfume característico do campo fresco, aquecido lentamente no fogão, há geleias pra todos os gostos de figo, de laranja, de morango, cada uma carregando a doçura da fruta colhida no tempo certo e produzido ali,

E o pão.

O pão caseiro novinho, de casca crocante e interior macio, sai do forno ainda exalando vapor. O aroma invade a cozinha e se mistura ao cheiro do café passado na hora, forte, encorpado, daqueles que despertam não apenas o corpo, mas a disposição para o dia inteiro.

“É tudo daqui”, comenta Eliane com naturalidade, como quem descreve algo simples. “A gente senta na mesa e sabe exatamente de onde veio cada coisa.”

Enquanto o sol começa a tocar os galpões e os pastos, Seu Aldemar já se levanta da mesa para conferir os primeiros afazeres. No seu ritmo, sem pressa, mas com compromisso. A rotina chama. Animais precisam ser cuidados, produtos precisam ser selecionados, etapas precisam ser organizadas.

“Tudo o que vai para a feira passa pelas nossas mãos”, relata Eliane. “Não é só produzir. É acompanhar, cuidar, selecionar, garantir que esteja do jeito que a gente gostaria também de receber.”
Aqui podemos ver a essência da agricultura familiar. Uma produção que nasce do vínculo direto com a terra, do trabalho compartilhado entre marido e esposa, da persistência que atravessa dias de calor intenso, madrugadas frias e semanas de preparo contínuo.

A FEIRINHA DA PRAÇA: MAIS QUE COMÉRCIO, UM SÍMBOLO DA CIDADE

Desde 2017, a Feira da Comunidade Uruguaianense, carinhosamente chamada pelas pessoas de Uruguaiana de Feirinha da Praça, deixou de ser apenas um espaço de venda direta. Se tornou um dos pontos mais lembrados e frequentados de Uruguaiana aos domingos.

O que antes poderia ser visto apenas como uma alternativa de comercialização transformou-se em um verdadeiro ponto de encontro. A praça ganha movimento logo nas primeiras horas da manhã com famílias que circulam, turistas que registram fotografias, moradores tradicionais que fazem da feira um compromisso semanal. Entre aromas, cores e conversas, Uruguaiana experimenta algo que vai além da compra e venda.

Mas cada banca montada carrega uma história anterior ao domingo.
Carrega dias de trabalho invisível.
Carrega escolhas, planejamento, investimento e esperança. E essa é a história da família Rezes.

“Quando a gente chega na praça, já tem uma semana inteira de dedicação por trás”, comenta Seu Aldemar. “Ali o cliente vê o resultado. Mas o processo começa muito antes.”

A CONSTRUÇÃO DE UM EMPREENDIMENTO RURAL

A Chácara Casa Velha não surgiu por acaso. Foi idealizada pela família Rezes como um projeto de vida. Ao longo dos anos, o que era apenas propriedade rural foi se transformando em marca, identidade e referência.
Cada produto ofertado na feira nasce de uma cadeia de cuidado que começa na preparação do solo, passa pelo plantio e manejo adequado, segue pela colheita no tempo certo e culmina na organização minuciosa para apresentação ao consumidor.

“Não é quantidade. É qualidade”, reforça Eliane. “A gente conhece cada etapa, cada detalhe. Isso faz diferença.”

A rotina da agricultura familiar exige disciplina e visão empreendedora. Não basta plantar; é preciso planejar, prever demanda, administrar custos, investir em melhorias e adaptar-se às condições climáticas e de mercado.
Nesse processo, a Prefeitura de Uruguaiana tem se tornado uma parceira muito forte.

A Diretoria de Agricultura, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, atua como parceira dos produtores locais, oferecendo suporte técnico, orientação e incentivo para que iniciativas como a da família Rezes cresça.

“Quando existe parceria, o produtor se sente valorizado”, destaca Seu Aldemar. “A gente sabe que não está sozinho. E sabe que se alguma coisa acontecer a gente pode chamar o pessoal da prefeitura para nos ajudar.”

MUITO ALÉM DA BANCA: A EXPERIÊNCIA RURAL COMO TURISMO

Se na praça a família entrega qualidade, na Chácara Casa Velha eles entregam experiência.
O espaço também se consolidou como alternativa de lazer e turismo rural em Uruguaiana. Visitantes podem passar o dia vivenciando a rotina do campo, algo que, para muitos, tornou-se distante da vida urbana.

Ali é possível acompanhar os afazeres diários: tirar leite da vaca nas primeiras horas do dia, coletar ovos ainda quentes do ninho, observar o cuidado com os animais, participar do plantio e da colheita conforme a época do ano. Há espaço para piqueniques sob a sombra das árvores, para cavalgadas tranquilas e para a degustação da culinária típica da região preparada com ingredientes produzidos na própria propriedade.

“Queremos que as pessoas sintam o que é viver no campo”, explica Eliane. “Que tenham momentos de paz e tranquilidade com suas famílias e amigos.”

Essa proposta amplia o impacto da agricultura familiar, pois ela deixa de ser apenas produtiva e passa a ser cultural e turística. Torna-se ferramenta de educação alimentar, de valorização das raízes e de fortalecimento da identidade local.

DESENVOLVIMENTO QUE NASCE DA TERRA

A Feirinha da Praça, ao longo desses anos, atingiu uma elevação importante através de política pública eficaz de incentivo ao empreendedorismo local. Ao oferecer estrutura organizada, visibilidade e regularidade, colhemos a geração de renda, circulação de capital dentro do município e fomento da economia regional.

Mas talvez seu maior mérito seja humanizar o consumo.
Na feira, o consumidor olha nos olhos do produtor.
Pergunta sobre a colheita.
Escuta histórias.
Entende o processo.
Essa conexão gera confiança e amizade.

Enquanto a uma parte de Uruguaiana começa a despertar aos domingos, a família Rezes já carrega horas acumuladas de trabalho nas mãos. A banca montada na praça representa apenas a etapa final de uma cadeia que começa muito antes do sol nascer.

O sucesso da Feirinha da Praça não se explica apenas por organização e logística. Ele se sustenta em pessoas como Seu Aldemar e Eliane,  famílias que acreditam na terra, que transformam esforço em oportunidade e que encontram, na parceria com o município, o suporte necessário para continuar crescendo.

Uruguaiana colhe, aos domingos, o resultado de anos de uma história de dedicação.
E, no caso da família Rezes, colhe também a prova de que desenvolvimento econômico começa no campo, com trabalho, com a agricultura familiar.

No ano em que Uruguaiana celebra seus 180 anos de história, escolhemos contar alguns histórias sobre trajetória da nossa gente. E desta vez, foi a com o Seu Aldemar e Eliane, mãos que cultivam a terra, corações que acreditam no trabalho e pessoas que, todos os dias, ajudam a escrever, com simplicidade e dedicação, as páginas vivas que constroem e enaltecem a nossa cidade.
 
Autor: Thaís Vieira - Secom/PMU
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