Uruguaiana está entre as cidades gaúchas que participam da Iniciativa Brasileira de Biomarcadores para Doenças Neurodegenerativas (IB-BioNeuro), um estudo científico que busca validar exames de sangue capazes de auxiliar no diagnóstico e no monitoramento de demências, como a doença de Alzheimer.
A pesquisa é desenvolvida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e, no município, conta com a parceria da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e da Secretaria Municipal de Saúde.
O projeto reúne cientistas, universidades, hospitais e Unidades Básicas de Saúde para padronizar métodos de coleta e análise de exames de sangue, além de reunir dados clínicos e biológicos de participantes. A iniciativa pretende validar tecnologias inovadoras que permitam diagnósticos mais precoces e ampliem o acesso da população a exames mais precisos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao todo, o estudo irá avaliar cerca de 3 mil participantes em dez cidades do Rio Grande do Sul: Bento Gonçalves, Lajeado, Osório, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Santo Ângelo, Uruguaiana e Veranópolis.
Em Uruguaiana, o coordenador regional da pesquisa é o professor Dr. Vanderlei Folmer, da Unipampa. A pesquisa também conta com a atuação da pesquisadora executante Kellen Mariane Athaide Rocha, responsável pelo desenvolvimento das atividades do estudo no município.
Neste momento, o projeto inicia a fase de divulgação e mobilização da comunidade para o engajamento de voluntários interessados em participar da pesquisa, que é voltada ao público com mais de 50 anos, alfabetizados e que não tenham problema de memória. Os interessados devem entrar em contato com a pesquisadora executante, Kellen Mariane, pelo número de WhatsApp (55) 99677-7748.
Segundo os pesquisadores, o objetivo é validar os chamados biomarcadores sanguíneos, substâncias identificadas no sangue que podem indicar alterações no cérebro associadas ao Alzheimer. A expectativa é que, no futuro, esse tipo de exame ajude médicos a diagnosticar a doença de forma mais rápida, acessível e menos invasiva.
"Queremos validar esses exames e criar uma plataforma de baixo custo que possa ser
incorporada ao SUS. A performance diagnóstica é altíssima e isso pode acelerar a identificação de doenças neurológicas e o encaminhamento para atenção especializada”, diz Eduardo R.Zimmer, coordenador do estudo.
No município, o bairro Cabo Luiz Quevedo foi selecionado como ponto inicial de referência do estudo por apresentar características demográficas representativas e infraestrutura adequada na Rede de Saúde para apoiar o projeto. Quando a pesquisa entrar na fase presencial, a coleta de amostras de sangue será realizada em espaço cedido pela ESF 14, no bairro Tabajaras. O material coletado passará por armazenamento inicial na Secretaria Municipal de Saúde e, posteriormente, será encaminhado para análise no Laboratório de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Farmácia da UFRGS, em Porto Alegre.
A iniciativa reforça a importância da integração entre universidades, sistema público de saúde e comunidade para o avanço da ciência e para o desenvolvimento de soluções que possam beneficiar diretamente a população.
Autor: Ana Carolina Gomes - Secom/PMU