Em uma sala de oficina do CAPS, pessoas se reúnem para pintar, plantar, produzir, conversar e aprender. Aos poucos, quem chega mais quieto começa a participar, trocar ideias e dividir experiências. Essas atividades fazem parte do cuidado diário oferecido pelos Centros de Atenção Psicossocial, criando um espaço onde cada pessoa pode se expressar, desenvolver habilidades e se sentir acolhida. Esse trabalho integra a rede de saúde mental vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, na qual a Prefeitura de Uruguaiana vem atuando de forma contínua para ampliar e qualificar os atendimentos.
Nas oficinas do CAPS, cada pessoa encontra caminhos próprios. Alguns se expressam por meio do desenho e da pintura. Outros encontram na música, no artesanato, no cuidado com plantas ou em atividades manuais uma forma de organizar sentimentos e pensamentos. O que importa não é o resultado final, mas o processo: ao criar, a pessoa se conecta consigo mesma, percebe suas habilidades e aprende a valorizar suas capacidades. Aos poucos, a autoestima cresce, e a sensação de estar à margem dá lugar ao sentimento de fazer parte.
“O que a gente vê aqui é o cuidado com as pessoas”, diz o prefeito Carlos Delgado. “As oficinas não existem para ocupar o tempo, mas para ajudar cada pessoa a se reconhecer, a ganhar confiança e a retomar vínculos com a vida. Quando alguém descobre que consegue criar, aprender e conviver, algo se reorganiza por dentro. E isso é parte do tratamento, tanto quanto a escuta e o acompanhamento técnico.”
Quando as atividades acontecem em grupo, algo ainda mais forte se constrói. Estar ao lado de outras pessoas, compartilhar experiências e produzir algo em conjunto cria laços que vão além da oficina. Relações se formam, histórias são trocadas, e a solidão, tão comum em quem sofre emocionalmente, perde espaço. Muitas pessoas que antes evitavam falar ou participar passam a se sentir seguras para se expressar, ouvir e serem ouvidas.
Desse processo nascem histórias que marcam. Há quem tenha descoberto talentos que nunca imaginou ter. Há quem tenha superado o medo de se expor em público. Há também quem tenha encontrado, ali, força para retomar planos de estudo, trabalho ou convivência social. Cada pequena conquista soma-se a outra, mostrando que o cuidado em saúde mental também se constrói nos gestos do dia a dia.
As pessoas não participam desse processo de forma passiva. Eles opinam, sugerem, escolhem e ajudam a construir as atividades e parte do próprio percurso de cuidado. Suas ideias e necessidades são consideradas, o que amplia a autonomia e o sentimento de ter voz dentro do tratamento. Além das oficinas, os CAPS também oferecem grupos terapêuticos, que aprofundam a escuta, o apoio e a troca de experiências.
Esse trabalho também tem um papel importante fora das paredes do serviço. Ao promover atividades abertas, feiras, eventos e ações integradas com a população, o CAPS ajuda a quebrar estigmas sobre saúde mental.
Por meio de acompanhamento individual, oficinas e atividades coletivas, o CAPS apoia o retorno ao estudo, ao trabalho, ao lazer e à vida social. Ao mesmo tempo, cultiva valores que fazem diferença em toda a cidade: empatia, solidariedade, respeito, cuidado coletivo e inclusão. São ações que, somadas dia após dia, ajudam Uruguaiana a ser um lugar que se dedica ao cuidado das pessoas.
Autor: Thaís Vieira - Secom/PMU