Nem toda dor aparece no corpo. Muitas vezes ela se esconde no cansaço constante, na ansiedade que não vai embora, na tristeza que parece não ter explicação. É nesses momentos que uma cidade precisa estar preparada para acolher e a Prefeitura de Uruguaiana construiu, ao longo do tempo, uma rede que permite que cada pessoa encontre o cuidado certo e no lugar certo.
Essa rede é formada por serviços que atuam de maneira complementar e articulada, dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde. Em Uruguaiana, os principais pontos desse cuidado são o CAPS II, o CAPS AD (que vem das palavras “Álcool” e “Drogas”) e o Ambulatório de Saúde Mental, todos vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Prefeitura.
O prefeito Carlos Delgado explica como esse trabalho é pensado de forma técnica e contínua: “Na saúde mental, não se cria do zero a cada gestão. O que fazemos é ampliar aquilo que já funciona, ajustar os fluxos, fortalecer as equipes e investir para que a rede responda melhor às pessoas. É assim que se garante atendimento real e permanente. E um exemplo de continuidade está na construção do CAPS Infantil que deve ser entregue ainda em 2026 e trará ainda mais cuidado para as nossas crianças e adolescentes.”
O CAPS II é o espaço de cuidado para quem enfrenta transtornos mentais graves, como esquizofrenia, transtorno bipolar ou quadros que geram crises frequentes e grande impacto na vida diária. Ali, o acompanhamento é contínuo e intensivo, com equipes multiprofissionais que trabalham não só para controlar sintomas, mas para ajudar as pessoas a reconstruir sua rotina, vínculos e, em algumas vezes, sua dignidade.
Já o CAPS AD atende pessoas que sofrem com o uso problemático de álcool e outras drogas. É um cuidado especializado, voltado tanto para momentos de crise e abstinência quanto para a reconstrução de projetos de vida, sempre respeitando o ritmo e a história de cada pessoa. Assim como o CAPS II, o CAPS AD é um serviço de porta aberta: qualquer pessoa pode procurar diretamente, sem precisar de encaminhamento médico. Lá há equipes compostas por vários profissionais especializados para receber e acolher no momento em que as pessoas mais precisam.
O Ambulatório de Saúde Mental cuida de outra parte essencial da população: crianças, adolescentes e adultos com transtornos leves a moderados ou casos que já estão estáveis. É onde acontecem consultas agendadas, acompanhamento psicológico e psiquiátrico e o seguimento ao longo do tempo, sem a necessidade de cuidado intensivo. Normalmente, o acesso ocorre após avaliação na Estratégia Saúde da Família (ESF), que é a porta de entrada do SUS nos bairros da cidade.
Cada um desses serviços tem um papel específico, mas eles não funcionam isoladamente. Quando alguém começa a apresentar um sofrimento psíquico leve, a ESF pode encaminhar para o ambulatório. Se o quadro se agrava, o próprio ambulatório ou a unidade de saúde direciona para um dos CAPS. E, quando a pessoa se estabiliza depois de um período de cuidado intensivo, os CAPS fazem a chamada contrarreferência, devolvendo o acompanhamento ao ambulatório ou à equipe da ESF. Esse fluxo evita internações desnecessárias e garante que ninguém fique sem acompanhamento no seu bairro e na sua rotina.
Essa forma de trabalhar segue as diretrizes do Ministério da Saúde, que orientam que o cuidado em saúde mental seja feito em rede, no bairro e de forma humanizada, criando o vínculo, a continuidade e o acompanhamento próximo das pessoas. Em Uruguaiana, essa lógica se traduz em serviços que conversam entre si, compartilham informações e constroem juntos o percurso de cada pessoa.
Ao longo dos anos, essa rede foi sendo ampliada, ajustada e fortalecida para responder melhor às necessidades da população. Hoje, quem precisa de ajuda não encontra portas fechadas, mas caminhos possíveis: do posto de saúde ao ambulatório, do ambulatório aos CAPS, e de volta para a sociedade, sempre com suporte profissional.
Cuidar em rede é reconhecer que cada pessoa tem uma história, um momento e uma necessidade diferente e que o serviço público precisa estar preparado para acompanhar todos esses caminhos, sem perder ninguém pelo percurso.
Autor: Thaís Vieira - Secom/PMU