Há lugares que não aparecem nos mapas turísticos da cidade, mas que são importantes e transformam a vida das pessoas quando elas mais precisam. O CAPS é um desses lugares. Ele existe para quando a dor não é visível, quando o peso está dentro, quando as palavras faltam e o cansaço de existir começa a apertar. É ali que muitas histórias recomeçam.
O Centro de Atenção Psicossocial, o CAPS, é um serviço do SUS através da Prefeitura de Uruguaiana pela Secretaria Municipal de Saúde. Diferente de um atendimento rápido ou distante, o CAPS funciona como um espaço de convivência, escuta e acompanhamento contínuo. É um lugar onde o cuidado acontece em liberdade, sem portas fechadas para a vida. Atende pessoas que vivem transtornos mentais mais persistentes e que precisam de um acompanhamento mais próximo. Também temos uma outro modalidade de CAPS, na qual chamamos de “AD” (quem vem de Álcool e Drogas) que é voltado para quem enfrenta problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, oferecendo apoio, orientação e possibilidades reais de reconstrução.
Sobre esse cuidado, o prefeito Carlos Delgado destaca que o trabalho em saúde mental em Uruguaiana vem sendo ampliado de forma contínua. “A saúde mental exige atenção permanente. Estamos dando continuidade a esse cuidado e fortalecendo a rede, e um exemplo disso é a construção do CAPS I voltado para crianças e adolescentes, que deve ser inaugurado ainda em 2026. O espaço foi planejado para ser acolhedor, com 738,65 metros quadrados de área, pensado para oferecer um ambiente completo e humanizado”, afirma. A obra representa um investimento de dois milhões de reais e amplia a capacidade de atendimento especializado na cidade.
Em Uruguaiana, o CAPS começa pelo que parece simples, mas é essencial: escutar. Quem chega é acolhido sem julgamentos. Cada pessoa é recebida no seu tempo, respeitada em sua história e no que está vivendo naquele momento. Antes de qualquer ficha, antes de qualquer protocolo, vem o cuidado de ouvir, de criar um espaço seguro, onde seja possível respirar um pouco melhor. Nem sempre, o primeiro atendimento será com intervenção clínica ou com o uso de medicamentos, mas sim com a escuta e a conversa.
Para muitos, o primeiro sentimento ao entrar no CAPS é o alívio. Alívio por perceber que não estão sozinhos. Aos poucos, no convívio com outras pessoas que também carregam suas dores, nasce algo muito importante: o pertencimento. Saber que existe uma equipe caminhando junto, que há um lugar onde se pode voltar, traz segurança, esperança e a força necessária para seguir.
Com o acompanhamento, a vida começa a se reorganizar. As crises deixam de ser enfrentadas no isolamento. A pessoa passa a se compreender melhor, reconhece seus limites, mas também descobre suas potências. Pequenas vitórias do dia a dia, sair de casa, voltar a conversar, retomar uma atividade ganham um valor enorme. É nesse processo que o cuidado vai, pouco a pouco, devolvendo sentido à rotina.
O CAPS também ajuda a reconstruir aquilo que muitas vezes se quebra quando o sofrimento é grande: a autoestima, os sonhos, os laços com a família e com a própria sociedade. Oficinas, atividades em grupo e o vínculo com a equipe permitem que cada pessoa volte a se ver como alguém capaz de desejar, planejar e pertencer. Não se trata de apressar ninguém, mas de caminhar junto, respeitando o tempo e a singularidade de cada história.
Por trás desse trabalho estão profissionais de diferentes áreas, formando uma rede de cuidado: psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, pedagogos, terapeuta ocupacional, farmacêutico, artesãos, oficineiros, agentes sociais, técnicos de enfermagem, enfermeiros e clínicos gerais. É uma equipe que enxerga o ser humano para além do diagnóstico e que atua em parceria com a Unipampa, por meio da Residência Multiprofissional, fortalecendo ainda mais o cuidado oferecido.
Para quem ainda sente medo ou vergonha de buscar ajuda, o CAPS deixa uma mensagem direta: você não está sozinho. E não precisa dar conta de tudo sozinho. Existe um lugar em Uruguaiana onde você será acolhido como pessoa, no seu tempo e do seu jeito.
Mesmo diante de histórias difíceis, a equipe trabalha com sigilo, ética e compromisso com a vida. Cada atendimento é pensado para proteger, cuidar e fortalecer, sempre buscando preservar a autonomia e o bem-estar de quem chega.
O CAPS é, no fim das contas, um espaço onde o sofrimento encontra escuta, onde a solidão encontra presença e onde, todos os dias, pessoas encontram novas formas de seguir em frente.
Autor: Thaís Vieira - Secom/PMU