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FEV
24
24 FEV 2026
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E INOVAÇÃO
PATRULHA AGRÍCOLA: UM BRAÇO FORTE NA PRODUÇÃO DE SEU ENÍBIO E DONA EVA NO SÍTIO GUAJUVIRA
Foto Noticia Principal Grande
Arte da capa: Thaís Vieira
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Ainda é noite fechada quando seu Eníbio Guth empurra a porta de madeira do galpão. A dobradiça reclama baixinho, como sempre reclamou, mas nunca deixou de cumprir seu ofício. O ar da madrugada, já não sabe se é frio ou quente, mas traz aquele cheiro bom de campo sereno, de terra viva esperando o primeiro sol.

O céu lá fora está grande, estendido por cima do pampa como um poncho azul-escuro salpicado das últimas estrelas. No horizonte, bem longe, já se desenha um pedaço de tecido claro, promessa de mais um dia de lida. São cinco horas. Hora que o mundo da cidade ainda dorme, mas o mundo aqui no sítio já se apronta.
Dentro de casa, o café tá passado. Forte. Daqueles que acordam até pensamento cansado. Na mesa, pão recém-cortado, salame, queijo e um pedaço de carne da janta de ontem. Não é luxo. É sustança. Quem vai encarar terra e enxada não sai só com vontade, sai fortalecido.

Seu Eníbio veste a camisa fina, quase linho, de trabalho, ajeita a calça marcada pela terra e puxa o chapéu pra cabeça. Chapéu já desbotado de tanto sol e chuva, mas firme, como ele. Cada marca ali conta uma safra, uma seca enfrentada, uma geada que quase levou tudo.

Ele cruza o pátio e vai pro galpão.

Ali o dia já começou antes do sol. As galinhas se mexem no poleiro, os pintinhos correm ligeiros atrás de qualquer migalha. Os gatos se espreguiçam. E o galo, faceiro, canta alto, como se fosse dono de tudo.

Num canto, sobre um armário gasto, o rádio de pilha chia antes de soltar uma moda antiga. Uma vaneira, um chamamé, uma música que fala de estrada de chão, de saudade e de promessa. Entre uma canção e outra, notícia de longe. Mas ali, naquele pedaço de três hectares, o que manda mesmo é o tempo da terra.

Seu Eníbio puxa a cadeira e senta diante da mesa marcada por ferramenta, e tinta de hortaliças que já passaram por ali. E assim que seu Eníbio começa o dia há mais de trinta anos. Mas, claro que não sozinho. Dona Eva é aquele alicerce, peça fundamental para que tudo se mantenha em equilíbrio. 

Seu Eníbio tem 75 anos. Dona Eva Sueli, 72.
Vieram pra Uruguaiana com coragem e pouca coisa no bolso. Ficaram porque a terra os aceitou, ou melhor, porque eles aprenderam a respeitar a terra. 
Em três hectares que muita gente chama de pequeno, eles tiram grandeza. Entre 35 e 45 mil quilos de hortaliça por mês. Quase meio milhão por ano. Alface que abre verde e viçosa, couve firme, feijão que um dia disseram que não vingava ali.

“Diziam que feijão não dava”, conta seu Eníbio, passando a mão calejada pela mesa. “Riam da gente. Mas quem conhece o chão sabe que ele responde pra quem insiste.”

E respondeu.

Hoje o feijão que vai pra panela deles nasceu ali mesmo, nas mãos dele e da dona Eva. E isso não tem preço. Mas, não é só do feijão que tem história. Talvez tu já tenha levado uma alface do Sítio Guajuvira pra casa. Talvez teu pai ou teu avô tenha ido lá no Rispoli, lá nos anos 80, com aquele boa e velha frase “a alface de lá era boa. As melhores hortaliças são de lá”. Era, sim senhor. E ainda é.

No começo era só umas fileiras tímidas. Pouca muda, pouca ferramenta. Cada enxada comprada era suada. Cada melhoria vinha no tempo certo, sem pulo. No sítio não tem atalho. Tem trabalho e a Patrulha Agrícola do município surge neste momento, no meio de tanto braço forçado na enxada, veio como um novo som cruzando o campo. O trator.

A Patrulha Agrícola surge como um baita parceiro. O trator ajudou a abrir o sulco reto onde antes era tudo na força do lombo. A terra ficou pronta mais ligeiro. Sobrou tempo. Sobrou fôlego.

“O trator da Patrulha Agrícola ajudou demais”, diz seu Eníbio, com aquele sotaque de gringo. “Economiza tempo, economiza dinheiro. Já faz mais de 12 anos que vêm preparar o solo pra nós. Pra pequeno produtor, isso é uma mão na roda.”

E é uma mão na roda mesmo. Porque tempo, no campo, é coisa séria. Uma semana ganha pode ser a diferença entre perder ou salvar plantio.
Dona Eva escuta, ajeitando o chapéu de palha grande que protege do sol bravo. Ela não fica só na sombra. Ela anda nas fileiras, orienta, cuida dos bichos, organiza casa e conta. É força quieta, constante.

“A terra é que nem gente”, ela diz. “Se tu trata bem, ela responde. Mas às vezes precisa de uma ajuda pra começar, até porque tem horas que o braço cansa porque não é mais o mesmo. “Ela ri expondo as bochechas rosadas pelo sol. 

Ano após ano, o Sítio Guajuvira segue firme. Não é riqueza espalhafatosa. É abundância honesta. É trabalho que começa antes do sol e termina quando ele já foi embora.

E eles não estão sozinhos.
Pelo interior de Uruguaiana, mais de 140 famílias vivem do mesmo jeito. Cada uma com seu galpão, seu rádio chiando, seu galo anunciando o dia. São essas mãos que abastecem feira, mercado, mesa de família. São essas madrugadas que trazem uma importante parcela no desenvolvimento de Uruguaiana.

O prefeito Carlos Delgado costuma dizer que o poder público só faz sentido traz resultados para as pessoas. “A gente fala muito em desenvolvimento, mas ele começa aqui, na terra, na mão calejada que não desiste. A Patrulha Agrícola não é máquina apenas, é presença, é ajuda. É o município dizendo para seu Eníbio, para dona Eva e para tantas outras famílias que elas não estão sozinhas. Quando o serviço público chega no tempo certo, ele não vem para atrapalhar. Ele vem para fazer a diferença.”

Por trás de cada lavoura alinhada tem preparo de solo. Tem apoio que muita gente nem vê. Tem política pública que chega na hora certa e faz diferença de verdade.
Pra quem também quer ver a terra pronta pra próxima safra, é só procurar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação, na Rua Duque de Caxias, 1700. Levar CPF, talão de produtor, comprovante da área (escritura ou arrendamento) e comprovante de luz.

O resto, como bem sabem seu Eníbio e dona Eva, é coisa antiga. É levantar antes do sol. É confiar no chão. É enfrentar seca e geada. É plantar o que tem de melhor nesta terra.

 
Autor: Thaís Vieira - Secom/PMU
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